A web surgiu como um espaço democrático. Criada em 1989 pelo britânico Tim Berners-Lee, ela já teve uma longa trajetória até chegar hoje à Web3 ou Web 3.0, que representa uma etapa com novas tecnologias, mas também cheia de questionamentos ao que ela se tornou.

A World Wide Web, ou apenas web, faz parte da nossa rotina. Cada vez que acessamos um site, estamos navegando pela rede mundial de computadores, que interliga dados e documentos de todo o planeta por meio da conexão pela internet. Na prática, são as páginas, redes sociais, imagens e vídeos que acessamos e com os quais interagimos todo dia.

A Web3 representa a fase mais avançada desse complexo sistema. À medida que a tecnologia e a sociedade avançaram, a web também se transformou, até chegar à era da inteligência artificial, do blockchain e da preocupação com a privacidade dos dados.

Agora, vamos entender melhor o que é a Web3, quais são suas principais características e como as empresas podem atuar nesse cenário. Acompanhe!

O que é Web3 ou Web 3.0?

Web3 ou Web 3.0 é a terceira geração da web, uma fase mais segura, rápida e descentralizada, marcada pelas tecnologias de blockchain e inteligência artificial e pelo alto volume de processamento de dados.

A Web3 ainda não é uma realidade consolidada. Atualmente, representa mais um movimento em busca de uma transformação da web para algo mais próximo da democratização que seus criadores imaginaram.

O termo Web3 é atribuído a Gavin Wood, co-fundador do Ethereum, uma plataforma descentralizada que utiliza o conceito de blockchain para realizar operações seguras em criptomoedas. A plataforma foi criada em 2014 e se tornou o segundo protocolo de blockchain mais usado do mundo.

Os criadores da plataforma imaginaram uma nova web em que os usuários trocam serviços e realizam operações sem uma autoridade central, sem grandes empresas ou instituições no meio do caminho, e com segurança para os dados envolvidos em todas as operações.

A descentralização é a base da Web3, mas também uma das suas principais polêmicas, já que o conceito bate de frente com grandes corporações. Não é por acaso que os bilionários Elon Musk e Jack Dorsey já fizeram piada com o termo. Na imagem abaixo, você vê o tweet irônico do criador da Tesla: “Alguém viu a Web3? Não consigo encontrá-la”.

Quais as fases da web?

Desde a sua criação até o momento que vivemos hoje, a web já passou por diversas fases. Não significa, porém, que o surgimento de uma nova etapa tenha eliminado a anterior. Todas as fases que vamos apresentar agora — da Web 1.0 até a Web 4.0 — coexistem no universo da internet.

Cada nova etapa absorve características daquilo que a antecedeu e adiciona novos modelos, de acordo com o avanço das tecnologias e comportamentos, o que vai tornando a web cada vez mais complexa e diversa. A seguir, entenda melhor as características de cada fase desde o seu surgimento:

Web 1.0

A web 1.0 marca os primeiros anos a partir da sua criação, em 1989. Naquela época, as páginas de sites eram estáticas, com informações limitadas e uma navegação simples. A grande novidade era a interligação de páginas e arquivos por meio de hyperlinks — ou, simplesmente, os links que estão na web até hoje.

A web não proporcionava interação, a não ser pela navegação entre os links. Diante das tecnologias da época, a intenção dos criadores de sites (principalmente grandes empresas, portais de notícias e diretórios de negócios) era apenas disponibilizar a informação para os usuários.

Web 2.0

Na web 2.0, os usuários passam a ter mais poder. Nessa fase, marcada pela colaboração e a interatividade, as pessoas passaram a criar suas próprias páginas em blogs, publicar o que quisessem nas redes sociais e construir conhecimento coletivo em diversas plataformas.

Esse é o cenário mais próximo do que ainda vivemos hoje. Mas, embora os usuários tenham ganho protagonismo, são as grandes corporações que controlam os dados da web, como Facebook, Google e Amazon. E essa é uma das principais características criticadas por quem vislumbra a Web3.

Web 3.0

Na Web 3.0, a rede continua interligada por links, além de colaborativa e interativa. Mas o conceito agora se concentra na descentralização, que pode ajudar a resolver problemas de concentração de poder e de falta de privacidade dos dados que a Web 2.0 trouxe.

Além disso, a Web3 é atravessada pelas tecnologias de inteligência artificial, que aprofundam a relação entre humanos e máquinas. Os dados podem ser processados mais rapidamente e em maior volume, o que tende a acelerar a velocidade da web e permitir a criação de novas experiências imersivas — como o tão falado metaverso.

Web 4.0

Se a Web 3.0 ainda não se consolidou, a Web 4.0 ainda é um futuro distante. Nesse conceito, a Internet das Coisas assume o protagonismo de um momento em que a web vai se integrar ao nosso dia a dia por meio dos objetos e das coisas que usamos.

Nessa nova realidade, a descentralização, a privacidade de dados e a inteligência artificial se mantêm relevantes. Mas essas questões agora giram em torno da relação simbiótica que se estabelece entre as pessoas e a tecnologia.

Quais as principais características da Web3?

Para você entender melhor, vamos explicar agora as principais características que marcam a mudança para a Web3.

Descentralização

A descentralização que está na base da Web3 se refere a uma rede de usuários que propicia a realização de transações seguras sem uma autoridade central.

O blockchain é o modelo descentralizado mais usado. Ele opera por meio do registro de transações em blocos de dados criptografados, que são validados pelos próprios usuários da rede e encadeados uns aos outros. Assim, eles formam “correntes de blocos”, que dão nome ao modelo.

Embora seja conhecido pelo seu uso em transações com criptomoedas, o blockchain não se limita a elas. No movimento pela Web3, a ideia é que o blockchain se torne a estrutura por trás de qualquer operação na web.

Cibersegurança

Uma das principais preocupação da Web 3.0 é proteger os dados dos usuários, que estão no centro das críticas às grandes corporações da internet, como Google e Facebook.

Por isso, a cibersegurança está no centro da Web3. No modelo em rede do blockchain, a proteção aos dados é garantida pela criptografia e o encadeamento de blocos, que geram uma sequência de códigos únicos e imutáveis como registro da operação.

O foco da Web3 em segurança e privacidade tende a mudar a relação das empresas com os usuários, que devem perceber mais transparência e ter mais controle sobre seus dados.

Essa é uma mudança que já está em andamento, principalmente diante da legislação sobre dados — no Brasil, temos a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

Semântica

A semântica da Web3 se refere a uma mudança na comunicação entre humanos e máquinas. Uma web semântica representa uma rede capaz de entender e atribuir sentidos aos dados e criar relações entre eles, de forma semelhante ao que seres humanos fazem na sua linguagem.

Dessa forma, pessoas e computadores podem trabalhar em cooperação para executar as mais diversas tarefas.

Inteligência artificial

Na Web3, a capacidade de processamento de dados se torna muito maior. As máquinas podem interpretar um volume extremamente maior de dados, com muito mais velocidade.

Dessa forma, vai ser possível desenvolver as tecnologias de inteligência artificial, integradas às redes descentralizadas da web. Com maior complexidade, soluções e experiências inovadoras devem surgir para os usuários.

Web3, NFTs e metaverso: qual a relação?

NFTs e metaverso são termos que ganharam projeção em 2021. Eles representam o avanço que muitas pessoas esperam ver na Web3, em que as operações são descentralizadas e passam a ocorrer com cada vez mais frequência no ambiente digital.

NFTs são tokens não-fungíveis, que representam uma forma de registro único de ativos, que não podem ser substituídos. Esse conceito tem sido usado em plataformas dedicadas a esse tipo de transação, que utilizam o blockchain para garantir a segurança e a autenticidade dos registros de obras de arte, produtos digitais e até memes.

GIF do Nyan Cat foi vendido por milhões de reais em NFT. Fonte: Gizmodo

Já o metaverso é uma realidade virtual imersiva em que as pessoas podem realizar atividades, como se estivessem no mundo físico, por meio de dispositivos digitais. Para isso, utilizam-se tecnologias de realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial e, é claro, tudo isso conectado à internet.

Os NFTs são um exemplo do que pode ocorrer no metaverso, uma vez que consistem em transações virtuais, com moedas virtuais em um ambiente virtual. Quando a maior parte das operações das nossas vidas forem como essas, provavelmente já estaremos imersos no metaverso.

E o que a Web3 tem a ver com isso? Essa é a realidade da web que se espera para a sua terceira geração. É o momento em que as relações se tornam digitais, permeadas pelas tecnologias de inteligência artificial e pelo processamento de dados em alto nível — porém, com menos concentração em grandes empresas e mais poder nas mãos dos usuários.

Qual o impacto da Web3 para as empresas e o marketing?

Para as empresas, a Web3 é o novo cenário em que elas vão atuar. Se o marketing acompanha a evolução das tecnologias e do comportamento do consumidor, precisa também se alinhar à evolução da web.

Na Web3, as empresas precisam estabelecer uma nova relação de transparência e confiança com os usuários. Se o poder é descentralizado, elas devem entender que são as pessoas que definem e controlam os seus dados.

Além disso, elas devem entender que a descentralização deve tornar o marketing menos dependente de grandes players como Facebook e Google, como acontece atualmente. Isso também deve dar mais poder às empresas, especialmente pequenos e médios negócios, que devem saber assumir essa responsabilidade.

Nesse novo cenário, já não se fala mais em transformação digital. As empresas, já digitalizadas, devem assumir o protagonismo na coleta e no tratamento de dados, em vez de depender dos gigantes da internet.

É preciso ainda ficar de olho nas novas oportunidades que o metaverso pode trazer, inclusive no universo de influenciadores virtuais e de vendas de ativos digitais. Se o consumidor vai estar no metaverso, é lá também que as marcas devem estar.

Enfim, a Web3 é considerada por muitos especialistas como “a grande revolução da internet”. Trata-se de um movimento essencial para repensar alguns caminhos que a web tomou e alinhar as demandas sociais às novas tecnologias que surgem.

Para empresas e profissionais de marketing, a Web3 é uma mudança que precisa ser acompanhada de perto. Representa o futuro em que você deve atuar. Então, é preciso compreender essa nova realidade para se manter relevante no mercado.

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